Eu sou navio,

e você é água por onde tenho percorrido.

Mergulho em tuas águas profundas

sem saber como voltar.

 

Eu sou navio,

em tua dimensão fui navegando e sendo navegada.

Fui amada, desejada, desnudada.

Vida minha, vida minha desventurada!

 

Porque eu sou navio perdido

e sem querer me achar,

Trafegando por entre as pedras do teu leito,

buscando abrigo em teu quente peito.

 

Eu sou navio, você é mar traiçoeiro

e lançou-me em tuas encostas rochosas,

sem saber, sem querer, sem poder, e querendo,

fui de encontro ao inevitável.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …

 



Eu era navio.

Despedacei-me em você.

Agora sou náufrago, sem porto, sem cais,

pedaços de mim que já não são nada mais.

 

O sol escaldante me queima agora a

pele porcelana, e as marcas ficarão

para sempre no corpo e na alma.

Porque eu era navio… Hoje sou dúvidas.

– Alma naufragada.

 

 

© Por Lilly Araújo-14/06/2006-Direitos Autorais Reservados.

 

 

© Por Lilly Araújo-14/06/2006-Direitos Autorais Reservados.

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