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Adeus?!

Sozinho, perdido, chorando, rasgado

é assim que estarás.

Sozinha, perdida, chorando, rasgada,

assim estarei.

Adeus meu grande amor,

nós já temos que partir.

Promessas! Momentos! Palavras!

Quando foi que mentimos pra nós mesmos

e nos perdemos?…

Sonhos perdidos!

O nosso amor se quebrou.

Agora onde irei ancorar minha alma?!?

Estarei sozinha, perdida, jogada, largada.

Rasgada sem aquele que nunca foi meu.

Nas canções eu ouço as palavras de dor

que eram para ser só minhas.

Ah! Nada é só meu. Tudo parece já

pertencer a outro alguém antes de mim.

Nem eu pertenço a mim mesma,

pois se assim fosse, eu seria totalmente sua.

Há um lado gritante dizendo que sim,

e um sussurro latente dizendo que não.

Cada instante contigo faz com que

eu me perca sem saber me encontrar,

(sem saber, sem poder e sem querer),

querendo apenas cada vez mais me perder.

Quero-te. Quero-te. Quero-te. Quero-te…

… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …

e jamais o terei?

Perdi-me. Perdi-me. Perdi-me.

Adeus! Agora pego meus cacos espalhados

neste cenário de um sonho

que nunca mais será sonho.

Fui atingida de morte! Fui atingida de Vida!

Vida que só foi vida em tua vida.

Adeus!

Mas eu não queria ter que partir.

A vida foi quem escolheu por mim.

Não pergunte as razões,

mas eu as trago, imponentes e amargas.

Adeus!

E desta vez minha fuga não será

para uma cidade tão próxima que possas alcançar-me.

fujo agora de mim mesma, e ainda assim

continuarei no mesmo lugar.

Não tentes me deter ou morrerei.

Adeus?!

Vou partir querendo, mas não podendo ficar.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

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Respondo à tua carta: (a nossa última carta)
– bem sei que deste amor tu já te sentes farta
e queres acabar. Vou fazer-te o desejo.
Tu tens toda a razão, e afinal, hoje, vejo
o erro que eu e tu na vida cometemos…
Também acho melhor que a história terminemos
já que enfim encontraste um novo amor, sincero,
diferente do meu. Faço votos e espero
que sejas bem feliz… Farei por esquecer
este lindo romance, e por não mais rever
as noites que nos dois, sob a sombra dos ramos
daquela árvore velha, a imaginar passamos
um futuro irreal… Tentarei apagar
da lembrança – o jardim, a casa, o nosso lar,
aquele doce lar do teu sonho de criança
e que era para mim a mais linda esperança…

Tudo isso – afirmas tu – foi apenas um sonho,
uma época feliz, um tempo mais risonho
que afinal já passou… E escreves, terminando,
– que procure da mente meu sonho ir apagando
porque não voltarás jamais, e sendo assim
é melhor esquecer… é melhor para mim…
Que queres que eu responda? – Hei de tudo fazer
para arrancar do âmago do ser
este amor que nasceu sem que eu sequer notasse
fazendo-me sofrer… Se este amor te contasse,
as dores que em meu peito o coração abriga
num sofrimento atroz; verias, minha amiga
que é fácil esquecer, quando apenas julgamos
ter amado; porém, quando em verdade amamos,
só depois de amargar infindáveis tormentos,
conseguimos enfim, alguns poucos momentos
de olvido e solidão. Meu caso é diferente
do teu, pois que te amei, e amei sinceramente
acreditando em ti. Pensei que era feliz
muita vez à razão acreditar não quis,
e hoje sofro pagando a minha ingenuidade.
Tu, não. Pensaste amar; julgaste ser verdade
o que agora não é mais que um sonho desfeito…
Ainda há, como bem vês, acesa no meu peito
a brasa deste amor, e em minha alma ainda existe
um vago relembrar, que me faz triste
sentindo o que passou. Contigo, nem sequer
há de haver, a menor lembrança – és bem mulher
no teu esquecimento… Esqueceste depressa…
– Confessa!… Tu jamais tiveste amor, confessa!
Só assim compreenderei a tua decisão
e o novo amor que achaste… Eu sofro, e com razão,
quando penso que um outro há de beijar-te a boca,
esta flor rubra e fresca onde a minha lama louca,
se fundiu à tua alma e fremiu de desejo.

A tudo esquecerei, talvez – mas este beijo
não tentes me pedir -, de há muito está gravado
como o ponto final da história do passado…
…………………………………………………………………….

E é só. Nada mais tenho a te dizer. Na vida,
não te quero encontrar jamais arrependida
porque seria em vão… Meu amor é dos tais
que morto como foi, não voltará jamais…
………………………………………………………………….

Adeus… (Podes rasgar todos os versos meus…)
perdoa-me se guardo o nosso beijo…

Adeus!…


(Poema de J.G. de  Araujo Jorge
in  ” Meu Céu Interior “- 1934)